Chego e vou ver minha nova planta.
Na geladeira, cortado e largado, num canto, havia um cotoco de cebola velha. Dias e dias lá, e ela resolveu manifestar-se: brotou. E começou a brotar e brotar, e não parava. E eu esperando aquilo morrer, numa observação estranha, pra jogar fora. E não morria
Admiro a vida. Em qualquer lugar. A vida que luta para viver. Para ficar, para permanecer. Num homem que se levanta, num lábio leporino que é curado, num cotoco de cebola que quer viver.
E está no vaso agora.
Cresceu rápido, rápido, rápido, e está cada vez maior. E mais forte.
Esperava - como muitos esperam -, para vicejar, de vez, apenas um pouco de terra, um pouco de água, um pouco mais... de luz.
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