quinta-feira, 3 de março de 2011

Carla Prates
01/03/2011 - 07h00

Para o cardiologista Elias Knobel, há mais de 30 anos no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, a experiência do dia a dia demonstra que as doenças coronárias tiveram uma ascensão e, nos últimos dois anos, decaíram; primeiro entre os homens e depois entre as mulheres. Isso porque o risco vem sendo controlado ao longo dos anos, principalmente pela conscientização em relação aos hábitos prejudiciais à saúde.
“Há campanha contra o fumo, obesidade, para o controle da pressão arterial, do sedentarismo, em prol da alimentação saudável. Entretanto, como controlar a parte emocional? Imagino que, com o tempo, a influência das emoções será um fator preponderante de causa da doença, os demais aspectos já vem sendo controlados”, esclarece o cardiologista, autor do livro “Coração...É Emoção” (Ed. Atheneu).
Knobel diz que os médicos precisam ficar alertas para essas questões emocionais, pois o diagnóstico nem sempre é fácil de ser feito. Para isso, é preciso investir mais tempo no tratamento do paciente como um todo, não apenas nas questões técnicas, como medir o colesterol, a pressão, fazer exames.
“É necessário mudar a relação médico-paciente e não relegar as emoções ao segundo plano. Muitos indivíduos com depressão ou síndrome do pânico acabam batendo às portas do cardiologista, por conta de palpitações, sudorese, mal-estar”, relata Knobel.
O psiquiatra Mario Alfredo de Marco, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), concorda que os médicos precisam ter mais preparo e sensibilidade para a questão das emoções. “Se uma pessoa for se tratar de infarto ou obesidade e o médico não olhar para sua vida pessoal, relacionando quais são as mudanças que ela precisa fazer, o tratamento não está completo. O próprio médico precisa de uma mudança de postura de vida muitas vezes”, comenta.

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