Em Friburgo, numa lan-house.
Acabei de jantar. Na verdade, almoçar. Vim pela estrada. E a estrada me envolve. Me envolve. Vim tranquilo, sem alta velocidade. Parei em alguns lugares, e fotografei.
Ouço o sonido da máquina quando a coloco na rotação perfeita; e ela me diz que está perfeita. Ela rosna suave, bem suave, como se funcionasse e não funcionasse ao mesmo tempo. Como se desse o máximo, com um mínimo de esforço, e eu sei que ela está na sua batida excelente.
Penso no meu flerte com a morte, e o resultado disso. Um jogo inconsciente, não tão inconsciente hoje, mas nunca completamente consciente. Quando estarei completamente consciente de como respiro...?
Quando terei completa consciência da profundidade de cada batida de meu coração?
Quando terei completa consciência de meus pensamentos...?
Consciência de minha consciência...
Quando?
Assim é a consciência da expansão do meu flerte com a morte...
Ele aparece hoje em pequenas - e grandes - coisas...
O real, o outro, o real e o Real, o Real e a Representação, o Eu e o Outro. A morte, a vida. O Passageiro Sombrio.
Um arrepio passa por dentro da minha alma, e do m
eu peito.
É fantástico estar vivo aqui e agora. É fantástico estar vivo na estrada. Nas montanhas.
É fantástico jantar um excelente strogonoff, de carne suculenta, em porções generosas, cogumelo, batata frita perfeita, cheio de fome, no lugar do almoço que não fiz. É fantástico comer devagar. É fantástico tomar uma coca e esperar tudo isso ser degustado... para pedir um chá.
Um arrepio passa por dentro da minha carne.
Adoro o verde. E o verde é lindo de ser olhado.
Passo por dentro de mil cheiros de verde na estrada e eles, cada um, mexem comigo.

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