Um dia o Júlio me convidou para ir a algum lugar, rsrs. Algo tipo isso: "algum lugar". E era um filme, ver um filme.
O Júlio é/foi meu afilhado no A.A.. Uma das melhores pessoas que já conheci. Ele era - é - para mim um dos casos claros em que a pessoa torna-se alcoólatra por não pertencer a esse mundo, não ser daqui. rsrs. É assim.
E o "ir a algum lugar" do Júlio naquele dia era ver um filme. Acho que ele quis fazer um "pacote", rsrs, e retribuir, socializar, partilhar, presentear(-me), tudo junto.
Era um filme no cinema do Palácio da República, um cinema que fica na lateral de um palácio, à beira de um jardim. O Palácio do Catete parece-me ser um dos poucos lugares que a névoa pútrida que paira sobre o Rio não consegue contaminar. É um lugar lindo, bucólico, pacífico. Não é do Rio.
E o filme era... Buena Vista Social Club.
Assisti o filme. Assisti,, assisti, assisti, com o Júlio, ali, mudo ao meu lado. Mudos.
Mudos.
Quando saí do filme, ali, já ao sair da porta, do cinema para o pátio, comecei a chorar. Sem nenhum constragimento, nenhum embaraço, nenhuma vergonha.
Chorei quinze minutos.
Seguidamente, com poucos, curtos, intervalos.
Nesses pequenos intervalos pensava que minha comoção, meu comovimento, minha alegria, ia passar. Mas continuava.
E até se exaurir o que eu sentia, chorei uns quinze minutos. Um misto de enlevo, gratidão, chorei a visão e a efemeridade do belo.
Êxtase.
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