02/08/2009 - 18h54
BBC Brasil
Pesquisadores da Universidade de Rouen, na França, identificaram uma nova variante do vírus HIV, causador da Aids, aparentemente transmitida aos humanos por gorilas.
A nova variante foi identificada em uma mulher de 62 anos de Camarões, no oeste da África. A paciente é portadora do vírus mas, apesar de nunca ter sido tratada, não demonstra sinais de ter desenvolvido Aids, afirmam os pesquisadores.
Segundo os cientistas, todas as outras três variantes do HIV conhecidas são originárias de chimpanzés, mas a nova parece ter sido transmitida aos seres humanos por gorilas.
A paciente, no entanto, que mudou-se para Paris, afirma não ter tido contato com macacos de qualquer tipo e nunca ter comido carne de animais selvagens.
Segundo os autores do estudo, que foi publicado na revista Nature Medicine, a paciente pode ter sido infectada por outra pessoa que carregava a variante ligada aos gorilas.
Transmissão
O coordenador da equipe de cientistas, Jean-Christophe Plantier, disse que apesar de a razão mais provável para o surgimento da nova variante seja a transmissão de gorilas para humanos, não está descartada a possibilidade de que tenha surgido inicialmente em chimpanzés e posteriormente sido transmitida aos gorilas.
Segundo Plantier, a descoberta ressalta "a contínua necessidade de se observar atentamente a emergência de novas variantes do HIV, especialmente no centro e no oeste da África".
Acredita-se que foi nessa região que o HIV foi transmitido pela primeira vez de chimpanzés para humanos, talvez há mais de um século.
De acordo com os cientistas, até agora a paciente de Camarões é o único caso conhecido da nova variante, mas é provavel que se espalhe e novos casos sejam identificados.
Os pesquisadores afirmaram que o vírus se multiplica rapidamente no corpo humano, o que pode indicar que já está adaptado.
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26 de fevereiro, 2009 - 11:28 (Brasília) 14:28 GMT
Um estudo envolvendo cientistas de vários países demonstrou que o vírus da Aids, HIV, está evoluindo rapidamente para driblar respostas imunológicas do organismo.
O trabalho, publicado pela revista científica Nature, sugere que, como acontece com o vírus da gripe, eventuais vacinas contra o HIV terão de ser constantemente atualizadas.
Os pesquisadores demonstraram que o HIV é capaz de se adaptar rapidamente para neutralizar moléculas do sistema imunológico controladas por genes conhecidos como Antígenos de Histocompatibilidade Humana (Human Leucocyte Antigen, HLA, na sigla em inglês).
O vírus já matou 25 milhões de pessoas no mundo e outras 33 milhões estão infectadas.
Mas o HIV não mata as pessoas com a mesma rapidez. Em média, sem tratamento, uma pessoa vive com o vírus durante dez anos antes de desenvolver a Aids.
Algumas desenvolvem a doença após 12 meses e outras após 20 anos.
O progresso da infecção está vinculado ao gene HLA, que controla a produção de importantes moléculas do sistema imunológico.
Seres humanos possuem quantidades diferentes do gene HLA e, mesmo variações mínimas, podem ter grande impacto sobre quão rapidamente a Aids se desenvolverá.
Os pesquisadores examinaram sequências genéticas do HIV e genes HLA em mais de 2.800 pacientes em vários países, entre eles, Grã-Bretanha, Austrália, África do Sul, Canadá e Japão.
Eles constataram que mutações que permitem que o HIV neutralize o efeito de um determinado gene HLA são mais frequentes em populações onde há grande incidência desse gene específico.
Por exemplo, uma forma do gene HLA chamada B*51 é particularmente efetiva em controlar o HIV - a menos que o vírus esteja equipado com uma mutação genética "de escape".
Os pesquisadores demonstraram que o HIV é capaz de se adaptar rapidamente para neutralizar moléculas do sistema imunológico controladas por genes conhecidos como Antígenos de Histocompatibilidade Humana (Human Leucocyte Antigen, HLA, na sigla em inglês).
O vírus já matou 25 milhões de pessoas no mundo e outras 33 milhões estão infectadas.
Mas o HIV não mata as pessoas com a mesma rapidez. Em média, sem tratamento, uma pessoa vive com o vírus durante dez anos antes de desenvolver a Aids.
Algumas desenvolvem a doença após 12 meses e outras após 20 anos.
O progresso da infecção está vinculado ao gene HLA, que controla a produção de importantes moléculas do sistema imunológico.
Seres humanos possuem quantidades diferentes do gene HLA e, mesmo variações mínimas, podem ter grande impacto sobre quão rapidamente a Aids se desenvolverá.
Os pesquisadores examinaram sequências genéticas do HIV e genes HLA em mais de 2.800 pacientes em vários países, entre eles, Grã-Bretanha, Austrália, África do Sul, Canadá e Japão.
Eles constataram que mutações que permitem que o HIV neutralize o efeito de um determinado gene HLA são mais frequentes em populações onde há grande incidência desse gene específico.
Por exemplo, uma forma do gene HLA chamada B*51 é particularmente efetiva em controlar o HIV - a menos que o vírus esteja equipado com uma mutação genética "de escape".
Japão
Em seus estudos, os pesquisadores constataram que, no Japão, onde o gene B*51 é bastante comum, dois terços da população infectada é portadora de uma variante do HIV equipada com a mutação.
Na Grã-Bretanha, por outro lado, onde o gene é muito menos comum, entre 15 e 25% dos pacientes são portadores do HIV que sofreu a mutação.
O responsável pelo estudo, Philip Goulder, da Universidade de Oxford, disse que resultados semelhantes foram vistos em cada tipo de gene HLA estudado.
"Isto mostra que o HIV é extremamente ágil em se adaptar às respostas imunológicas das populações", disse Goulder.
"Isto é evolução em alta velocidade que estamos vendo em um período de apenas duas décadas".
"A tentação é achar que isso é uma má notícia, que esses resultados significam que o vírus está ganhando a batalha".
"Não é necessariamente o caso. Pode ser que, da mesma forma, à medida em que o vírus muda, respostas imunológicas diferentes entrem em ação e sejam mais efetivas".
"A implicação é que, uma vez que tenhamos descoberto uma vacina efetiva, ela tenha de ser alterada frequentemente para acompanhar o vírus em evolução, assim como fazemos hoje com a vacina da gripe."

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