domingo, 14 de junho de 2009

Estou com um biscoito waffer na boca, de limão. Mastigando e digitando, rsrs.
Fui à rua, à padaria. Quando sai estava frio, e em alguns passos que dei começou a chover. Consegui calmamente voltar e apanhar um guarda-chuva, coisa que não faria um tempo atrás; por ansiedade, por displicência comigo. Fiz diferente.
E fui caminhando. Quando desci de novo, brinquei com o porteiro e ele brincou comigo, à respeito do frio. E comecei a sentir o gosto gostoso do contato com as pessoas, depois de quatro dias sem ver ninguém.
Na padaria, pedi uma média grande e um pão com ovo. Uma pedida que é, para mim, um manjar. Enquanto aprontava arrumei uma mesa na calçada para sentar. E fiquei olhando manchetes, nos jornais. Eu chamo de filar manchetes, e eu adoro fazer isso.
Quando tudo ficou pronto, apanhei e fiquei sentado na mesa. apreciando o dia, as pessoas, a vida. Vi de relance uma quitandinha ao lado, e lá, umas alfaces que seriam ultra-gostosas no acompanhamento de meu almoço. Mentalmente, comprei-as, rsrs.
Me deliciava com meu café, e passou um grupo de rapazes, oferecendo... coisas. Foi rápido, e, envolvido com meu café como estava... não processei, rsrs. O que consegui processar é que a voz, a fala, do garoto e seu rosto - o que veio a mesa me oferecer coisas - eram de uma bondade ingênua, aquela que retrata o despreparo e a pureza de algumas crianças. Imagino que seja aquele olhar que os pais veêm nos rostos de alguns filhos - não todos, tenho certeza, rsrs - e sentem um arrepio na coluna... Um arrepio do que a vida pode fazer com algo tão bonito; seguido de um desejo enorme e urgente de que eles se aprontem... que eles estejam... prontos... que a vida não os destrua... e que eles sobrevivam, e cumpram sua jornada.
Eu não me autorizo a falar de bondade porque seja um romântico. Eu me autorizo plenamente a falar disso, hoje, porque eu conheço a maldade. Isso me autoriza a falar com mais propriedade de... bondade. Aliás, só isso autoriza, realmente.
Bem, foi o que eu vi num relance. Mas disse ao garoto que não queria o seja-lá-o-que-que-fôr-que-ele-esteja-vendendo.
Continuei tomando meu café, e eles ficaram conversando à distãncia e eu pude vislumbrar mais daquilo. E vi a beleza do que aqueles garotos estavam fazendo, nessa manhã de domingo. no meio desse mundo que é um zoo e dessa selva que é o Rio.
Eram um grupo de escoteiros. Eles, à semelhança de seus congêneres, americanos, europeus e australianos, estavam vendendo doces e frutas, limões.
Eu ouvi um deles chamar o que esteve na minha mesa pelo nome: "Emerson".
E eu gritei:
- Emerson... Me traz um saco desses limões.
Ele veio com seu rosto ingênuo e surpreso. Eu comprei seus limões, e eles seguiram seu caminho.
E eu segui meu café,
Fui ao balcão, repeti a pedida: uma média grande e um pão com ovo. Comprei jornal e, continuei, lendo-o enquanto esperava; e depois, enquanto comia.
Acabei, levantei, comprei mais dois pães franceses e leite. Passei na quitandinha, comprei alface.
E vim pra casa.
Vou terminar de ler meu jornal

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