domingo, 21 de junho de 2009

O Fim das Coisas, Augusto dos Anjos

.
.
Pode o homem bruto, adstrito à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente do Subsconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A lâmpada aflogística de Davy!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
.
.

Nenhum comentário: