Nas primeiras décadas do século XX, a vanguarda alemã interessou-se principalmente pelas experimentações realizadas a partir dos processos técnicos de laboratório ou baseadas na busca de perspectivas pouco ortodoxas para o olhar. Um dos melhores exemplos é o trabalho do fotógrafo Lázsló Moholy-Nagy, cujo nome é indissociável da escola Bauhaus. Em suas fotografias, Moholy buscou estruturas compositivas que se relacionavam ao vocabulário geométrico construtivo de sua produção pictórica, procurando novos ângulos para a observação da arquitetura e do corpo humano.
Moholy-Nagy também foi um dos principais artistas a elevar os fotogramas à categoria de arte, além de ter realizado colagens com elementos fotográficos e projetos para filmes e peças de design gráfico, em que a fotografia desempenhava papel fundamental. A conjugação da fotografia a outros meios, como a colagem, a tipografia, o desenho ou a pintura é recorrente também no trabalho de outros artistas da mesma época. Os artistas Umbo e Raoul Hausmann, por exemplo, também atuaram neste inter-relacionamento de mídias, produzindo imagens que se baseavam nas propostas provocadoras dos grupos dadaístas dos anos 20 e 30 em Berlim. Umbo era fotojornalista e pintor oriundo da Bauhaus, enquanto que Raoul Hausmann fazia parte do círculo de Hanna Höch, Kurt Schwitters, George Grosz e outros.
A traumática experiência da segunda guerra dissolve, porém, o ambiente experimental das vanguardas alemãs, fazendo com que muitos dos principais artistas e fotógrafos emigrem para outros países ou encontrem poucas possibilidades de desenvolvimento de seu trabalho. A partir de 1945, as necessidades de documentação dos destroços da guerra geram o surgimento de um outro tipo de olhar fotográfico. Nesta época destaca-se o trabalho do fotógrafo Friedrich Seidenstücker, cujo olhar volta-se para a captação dos escombros de Berlim e das dificuldades de sua reconstrução. O trabalho de Seidenstücker é comparado por alguns autores à produção de Cartier-Bresson, porém embora algumas imagens de Seidenstücker possam conter uma sensibilidade semelhante à do mestre francês, a própria situação da Alemanha pós-guerra impossibilita um olhar tão lírico sobre o cotidiano, pois diante da crueza do assunto a documentação fotográfica parece ser a estratégia mais eloqüente.
A contemporaneidade
A busca da objetividade documental na fotografia alemã ganha novas matizes a partir do início da década de 60, principalmente através da contribuição do trabalho do casal Bernd e Hilla Becher. Esta dupla de fotógrafos inicia um trabalho de documentação fotográfica quase antropológico, que utiliza metodologias rígidas na captação de imagens aparentemente banais, nas quais o que conta não são as inovações compositivas ou o instante decisivo, mas a repetição de uma constante formal que constitui séries de imagens semelhantes sobre um mesmo tema. Bernd e Hilla Becher produzem extensas séries de fotos que registram as diferentes construções arquitetônicas de caixas d’água ou instalações industriais. O assunto é fotografado sempre centralizado, com o mesmo enquadramento e as fotos são exibidas sempre do mesmo tamanho e agrupadas lado a lado. A partir deste procedimento, o casal Becher propõe ao observador que perceba as mínimas diferenças entre suas imagens, tornando visível a massificação da produção industrial, quer seja ela de galpões, caixas d’água ou outros aparatos.
Do ponto de vista formal as fotos de suas séries diferenciam-se pouco umas das outras, mas o que lhes confere interesse é o fato de constituirem um levantamento sobre assuntos aparentemente desimportantes, mas que são parte constituinte do mundo visível na era da sociedade pós-industrial. A proposta conceitual do casal Becher utiliza a estratégia da fotografia enquanto documentação para tecer comentários sobre a percepção e sobre o mundo a partir dos anos 60. Bernd e Hilla Becher tornaram-se fotógrafos muito influentes para a contemporaneidade e foram responsáveis pela formação de muitos fotógrafos de sucesso na Alemanha atual. Muitos de seus ex-alunos adotaram seus métodos e procedimentos conceituais, porém também desenvolveram seus próprios caminhos.

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