sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Osso, Átila Guimarães

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Eu sinto medo toda hora
Sinto arrepio nos ossos
Sinto tensão nos ombros

Sinto medo
Sinto medo
Sinto medo

Sinto medo do fim
Sinto medo da solidão
Sinto medo do início
E do meio

Sinto medo do que as pessoas fazem
Para não sentir medo
Tenho medo.

Eu vejo o que fazem
para não sentir
medo
Vejo.
Vejo o que fazem para não sentir
Medo.
Vejo
Eu vejo.

Minhas pupilas se dilatam com o que vejo
Amedrontador
Eu o faço também!

A medontra dor
Amedontr a dor
A me dontra dor
A me don tra dor

Amedontr'a dor

Meus ossos
com medo
Minhas células
com medo
Meus pensamentos
medrosos
Minhas emoções
amedrontadas

Eu toco nas coisas com medo
Eu já vi.
Sinto medo
Sinto medo

Coisas caem e se
transformam

Sinto o medo metafísico,
Físico,
O abstrato.
Medo da presença,
Medo das ausências,
da chegada
e das partidas
Do interlúdio

Da espera
Tenho medo
Tenho medo enquanto espero

Enquanto espero

(Suadas
minhas mãos suaram a vida
inteira)

Enquanto espero.

Tenho medo
.
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Um comentário:

Karin van der Broocke disse...

Quanta angustia senti.
O coração disparou
Meu corpo foi tencionando...
Tremi internamente.
Medo desse medo, feito
de sucessivas e cumulativas explosões...
que faz ir encolhendo, ncolhendo...

Concha

Quem me dera arrancar com a mão.